INDICAÇÃO: METALLICA – “HARDWIRED…TO SELF-DESTRUCT” (2016)

Blackened Recordings

Devo iniciar esta resenha deixando claro que não escrevo para satisfazer fãs fanáticos e muito menos haters de plantão, portanto se resolver seguir adiante, tenha em mente que o que vai ler é uma análise que tenta fazer o máximo de justiça possível com relação ao disco, ponderando prós e contras, enaltecendo os bons momentos e também tecendo críticas quando necessário.




O Metallica desde os anos 90 divide opiniões e é praticamente impossível um novo álbum da banda não gerar sentimentos de amor e ódio. Isso é perfeitamente entendível, já que o quarteto de Los Angeles nunca se preocupou em seguir uma mesma fórmula para executar sua música. Depois de conquistar uma base sólida de fãs com seus quatro primeiros discos e chegar ao estrelato com o quinto, o grupo resolveu fazer uma série de experimentações em seus trabalhos subsequentes e como não poderia deixar de ser, causou muita polêmica.



Os fãs antigos se distanciaram e em contrapartida, a banda arrebatou uma nova geração de seguidores. Essa divisão é a grande responsável pela guerra de opiniões que temos hoje e enquanto muitos dos headbangers que acompanharam o Metallica em seu início, não medem palavras para criticar os registros mais recentes, a maioria dos fãs que foram arrebatados nos anos 90 possuem uma visão totalmente diferente, defendendo a ideia de que a banda sempre se transmutou e, sendo assim, não pode ser condenada pelas mudanças e pelo distanciamento do Thrash Metal.

Sempre que um disco do Metallica é lançado, o mundo da música pesada entra em ebulição e o que mais podemos ver são análises de fãs apaixonados, onde independentemente da qualidade do material, vão dizer que se trata de uma obra prima inconteste. É bem comum também a postura radical dos fãs que odeiam odiar a banda e mesmo que o álbum seja muito bom, como é o caso de “Hardwired…To Self-Destruct”, irão desmerecer, taxar, fazer acusações e tentar impor a “má qualidade” do disco.



Acredito que pela diversidade musical encontrada em toda a discografia do grupo, é um erro primal e imperdoável ouvir o novo registro esperando uma sequência de “Master Of Puppets” ou de algum outro clássico do passado. O Metallica não é uma banda de Thrash Metal há muito tempo e o primeiro passo para uma audição satisfatória de “Hardwired…To Self-Destruct” é ter em mente que você irá ouvir um disco de Heavy Metal e apenas isso, sem demais classificações e principalmente, sem comparações descabidas. Obviamente que em algumas composições o disco irá lembrar uma passagem ou outra de algum momento do passado, porém isso não é uma regra.

Como sabemos, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammet e Robert Trujillo nos apresentam 12 novas músicas divididas em 2 CD’s, o resultado disso são cerca de 77 minutos de Heavy Metal cru e simples, uma espécie de viagem por todo o acervo musical da banda. Se você escutar o álbum à procura apenas de boa música, irá encontrar todo o tipo de variação já feita pelo grupo, canções rápidas e viscerais como “Hardwired” e a avassaladora “Spit Out The Bone”, canções cadenciadas, mas de extremo bom gosto como “Confusion” e “Now That We’re Dead”, canções com forte apelo midiático e refrãos grudentos, caso de “Moth Into Flame”, disparado o melhor refrão do disco e além disso, pérolas do porte de “Atlas Rise” e “ManUnkind”.


É claro que nem tudo são rosas e temos alguns momentos em que a audição cai consideravelmente, particularmente não gostei de “Am I Savage” e “Halo On Fire”, faixas arrastadas demais e sem aqueles momentos diferenciados que as outras composições apresentam. Ainda classifico “Here Comes The Revenge” e “Murder One” como músicas extremamente comuns e dispensáveis, não que sejam ruins, mas contrastam com o restante do registro e dão uma esfriada na audição.

Após ouvir cuidadosamente por diversas vezes, a impressão que “Hardwired…To Self-Destruct” deixa é a de que o Metallica acertou a mão novamente e lançou um trabalho muito bom, despojado e principalmente sincero. Apesar de ter gostado de “Death Magnetic”, foi inevitável a sensação de que estavam forçando a barra e tentando desesperadamente soar como nos velhos tempos, já nesta nova empreitada não há nem sinal desse tipo de postura e tudo soa de maneira natural, o que parece é que os músicos finalmente chegaram a um consenso e deixaram com que a música simplesmente fluísse. O resultado não poderia ser outro:



Talvez essa forçada de barra em fazer a banda soar Thrash novamente tenha vindo do produtor RickRubin e creio que seja até por esse motivo, que optaram por escolher Greg Fidelman dessa vez. James e Lars também participaram de produção e o novo trabalho soa como tem que soar, em qualquer uma das músicas o que você escuta é o Metallica sendo Metallica, como a muito tempo não se via. Poderia ser melhor? Poderia! Se descartássemos alguns exageros e diminuíssemos o número de canções, dando uma “enxugada” no material, ele certamente soaria mais dinâmico e aí sim, provavelmente teríamos uma obra realmente marcante e candidata a se tornar um clássico. Acredito que um tracklist de 8 faixas seria o ideal, porém é perfeitamente entendível as 12 canções, afinal a banda estava há 8 anos sem gravar, o que convenhamos, é totalmente desnecessário para uma banda do tamanho do Metallica.


Em suma, os fãs mais fervorosos podem e devem ficar extremamente contentes com o resultado final de “Hardwired…To Self-Destruct”, pois ele supre todas as expectativas. É claro que discursos movidos apenas pela paixão, onde classificam o disco como algo épico e arrebatador devem ser descartados, mas temos enfim, um trabalho do Metallica que realmente não merece passar por toda essa explosão de críticas e discursos de ódio. Em minha humilde opinião, o disco não entra em uma lista de melhores do ano, porém passa a quilômetros de distância dos piores momentos do grupo e pode ser facilmente considerado como o melhor registro do Metallica desde “Black Album” (1991). Somente por este fato, já merece receber muitas ressalvas positivas.


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